Things go up,
Things go down,
Everything that goes has to come back around
Treat someone like a dog, it will come back
It’ll come back and bite you and that’s the fact
A data que eu estava esperando desde o final do ano passado, 18 de agosto, finalmente chegou. Depois de muito sufoco pra tirar o visto, guardar dinheiro, ajeitar todas as burocracias e acalmar a família, eu e meu amigo chegamos em Melbourne.
Como muita gente está pedindo, vou escrever posts por aqui contando como anda minha vida - é uma maneira de passar o tempo e matar as saudades. Com certeza , esse primeiro post será enorme - arme-se de paciência :)
Parte 0 - Despedidas
Mesmo tendo feito vários eventos de despedidas nas últimas semanas, acho que a ficha só foi cair mesmo um dia antes da viagem. Foi um dia meio deprimente pra mim, tanto pela saudade antecipada de tudo e todos como também pela insegurança em relação ao futuro (normal). Se não conseguir extrair mais nada dessa viagem, pelo menos digo isso: aprendi a valorizar MUITO mais a vida que eu levava no Brasil. É difícil ver como você é sortudo de ter a família, amigos e rotina que tem - até a hora que isso some e vc se vê em um terreno totalmente novo e desconhecido. Enfim, tudo isso pra dizer que chorei que nem uma criança no dia 17 e também na manhã do dia 18, antes da viagem.
Parte 1 - Brasil -> Chile
Tanto eu como meu amigo preferimos chegar adiantados no portão de embarque. Na verdade acho que estávamos com medo da despedida final dos familiares. Falei “tchau” como se estivesse saindo pra ir pra padaria pra evitar aquela coisa dramática, e foi bom ter feito isso pq choradeira no aeroporto é sacanagem né.
No fim das contas, acabamos esperando muito mais do que imaginávamos. O vôo pro Chile atrasou mais de duas horas (ê organização beleza!) e comecei a ficar com medo de perder a conexão pra Nova Zelândia, mas fizemos um bom voo (bom e mais longo do que eu esperava; vi dois filmes no caminho) e chegamos lá uns 40 minutos antes do embarque. Não deu tempo de fazer muita coisa além de ir ao banheiro e achar um wi-fi pra avisar o povo.
Parte 2 - Chile -> Nova Zelândia
O temido voo de 12 horas chegou. Embarcamos morrendo de sono, e depois do serviço de bordo coloquei uns CDs do John Coltrane pra tocar e capotei. Dormi umas 6 horas, mas daquele jeito tosco (5 minutos de sono, 5 acordado). Quando faltavam umas 5 horas pra chegar, comecei a ver filmes e séries pra passar o tempo e fiquei perambulando pelo avião pra que minhas nádegas retomassem seu aspecto arredondado. As últimas 3 horas foram as piores, o voo simplesmente não parecia ter fim! Apesar da impaciência, chegamos na NZ 1 hora antes do esperado - de fato, tão cedo que o saguão de embarque internacional ainda não tinha nem sido aberto. Quando finalmente conseguimos entrar lá, ficamos embasbacados com o aeroporto. Sensacional! Parecia mais um shopping center futurista que um aeroporto, lindão mesmo. Tiramos umas fotos, mas não vou conseguir postar hoje por motivos que ficarão mais claros depois :P
Aqui no aeroporto já tivemos a oportunidade de interagir com alguns locais e ficamos surpreendidos com o bom-humor e prestatividade de todos. Sempre rindo, fazendo piadas e dando informações da melhor maneira que podiam. Enfim, começamos a ficar realmente animados depois do voo. Aliás, uma curiosidade: embarcamos às 11 da noite do domingo, e chegamos às 3 da manhã na NZ… DO DIA SEGUINTE. Além das quase 12 horas de voo, foram mais umas 12 de fuso horário. Em outras palavras, pulamos da quinta-feira direto pro sábado sem nem ter visto a sexta-feira. Não viajamos só pra NZ, viajamos para o futuro :)
Parte 3 - Nova Zelândia -> Austrália
Era pra ser um voo simples, de umas 4 horinhas. Nem tentei dormir, já estava louco com o fato de estar chegando em Melbourne. Mas é claro que tinha que rolar mais emoção. Quando chegamos até a cidade, não dava pra pousar por causa de uma névoa baixa. Ficamos dando voltas no ar por uns 45 minutos (a mudança constante de pressão me deixou completamente surdo por uns 15 minutos, aliás), e nada do nevoeiro dissipar. Acabamos tendo que pousar em Camberra, mais ou menos 45 minutos de voo pra lá, pra reabastecer o avião. Durante o processo de reabastecimento e liberação do plano de voo de volta pra Melbourne, que demorou mais ou menos duas horas, não pudemos descer do avião. Por incrível que pareça, ninguém reclamou ou deu escândalo. Pelo contrário, todos estavam alegres e a cada nova informação que vinha pelo sistema de som do avião, as pessoas aplaudiam e vibravam.
No fim das contas, o voo desviado pra Camberra foi um acontecimento muito legal. Começamos a conversar com o pessoal que estava no avião - uns australianos, outros chilenos, neozelandeses, etc. Sabe aquele climão “viagem de escola”? Tipo isso. Acabei puxando assunto com a mulher que estava do meu lado, uma australiana que mora em Melbourne. Contei meus planos e ela começou a elogiar a cidade loucamente, dizendo que adorava Melbourne e que nunca moraria em outro lugar, etc etc. Começamos a ensinar uma das comissárias (uma neozelandesa filha de vietnamitas e chineses, lol) a falar português e espanhol e acabou virando uma farra. Sério, se não fosse o nevoeiro teríamos perdido a parte mais divertida da viagem (pelo menos pra mim). No fim, a mulher australiana acabou me dando seu cartão de visitas, dizendo que podia ligar se precisasse de qualquer coisa por aqui. Ê simpatia bonita. Finalmente, levantamos voo pra Melbourne e depois de mais umas voltas no céu esperando outros aviões pousarem, chegou nossa vez. Descemos finalmente!
Passamos pela imigração sem problemas e, depois de pegar as malas, fomos até a alfândega, que também andou muito rápido. Aliás, na alfândega vimos o cão farejador mais bonitinho do mundo (e esperto pra diabo, pq ele passou reto das nossas malas como se nem tivesse prestado atenção mas se agarrou na mala de um chinês que estava tentando entrar no país com uma maçã). Como eles treinam os bichos assim?!
Em seguida, ligamos pra casa e fizemos nossa primeira refeição em terras australianas, no McDonald’s do aeroporto (aliás, bem mais barato - literamente metade do preço brasileiro). Eu e meu amigo pegamos táxis (separados - infelizmente estamos em casas diferentes por enquanto) e depois de uma viagem longa porém rápida (e cara), cheguei até meu novo endereço no bairro de Blackburn, esquina da Whitehorse Rd. com Downing St. Dia ensolarado, parecia que eu nem tinha saído do Brasil.
Parte 4 - Minha nova casa
Bati na porta e apareceu um senhor sorridente, com um jeitão bastante australiano. Ele me falou que estava preocupado com o atraso e tal, e logo foi me mostrar a casa, já passando por algumas regras básicas, fazendo algumas piadinhas. Tudo bem limpo e tranquilo (apesar de algumas gavetas do meu quarto estarem emperradas, hehehe). Meu anfitrião, o Mr. Green (tipo personagem do jogo “Detetive” mesmo), é um cara tranquilão e prestativo, mas fica principalmente na dele - se vc precisar de alguma coisa, precisa pedir, pq ele não vai vir com amor e carinho perguntar se está tudo em ordem. Até aí, tudo bem - eu quero um quarto, não um novo pai :)
Aproveitei também pra conhecer um dos outros estudantes que está morando aqui, um chileno chamado Mario (por incrível que pareça, ele estava usando uma camiseta vermelha e tem um bigodão - só faltou o boné pra ficar igual ao personagem da Nintendo). Ele pareceu bem gente boa - me ajudou a configurar o wi-fi e ensinou o caminho até a estação do metrô, mas não conversamos muito mais que isso.
Entre as regras da casa, as mais complicadas são as relacionadas a economia de água. A Austrália está passando por um período de seca (mais que de costume) e por isso o povo está pegando pesado no racionamento. O que isso significa? Bem, o governo recomenda que as pessoas tomem banhos de 3 minutos (WTF?!). Como o Mr. Green é bonzinho, ele nos oferece… 6 minutos (LOL!). Além disso, a descarga aqui funciona de maneira diferente - ela tem dois botões, um de 2 litros e outro de 4 litros. Resumindo, vc aperta o botão 1 quando faz o “número 1” e o botão 2 quando faz o “número 2”. Não tem essa de ficar segurando o botão até se dar por satisfeito… A última regra de economia de água é a pra lavar roupas. A idéia é só lavar quando estiverem realmente sujas. Todos os moradores da casa (no momento, além do anfitrião, eu e Mario, tem também um cara de Taiwan e dois da China que eu ainda não conheci) vão jogando a roupa que precisa ser lavada na máquina, e só quando ela enche que tudo é lavado. Já decidi que vou procurar uma lavanderia por aqui, pq esse método não vai rolar (não dá pra esperar a máquina encher, vai que minhas roupas acabam).
Depois de me ambientar um pouco, fui pro meu quarto e entrei em contato com o meu amigo por Skype. Marcamos um encontro na Parliament Station do metrô, no centro da cidade, o “CBD” (onde realmente as coisas acontecem por aqui). Nessa hora, uma má notícia: notei que meu iPhone havia sumido. Acredito que tenha caído do meu bolso no táxi quando fui pegar o dinheiro pra pagar. Entrei em contato com a empresa por e-mail mas ainda não tive resposta. Bem, perdi minhas fotos e meu celular logo no primeiro dia. Way to go. Vamos ver se chega alguma resposta nos próximos dias. De qualquer modo, fui lá pegar o metrô e depois de mais uma dose de informações de um funcionário sorridente, aprendi a andar por aqui (mais ou menos, hehehe).
Melbourne funciona assim: tem o centrão da cidade, o tal “CBD”, que é conhecido por aqui simplesmente como “City”. Lá estão praticamente todos os prédios altos da cidade, as empresas grandes, lojas grandes, etc. Por lá, circula um bonde gratuito (que eu ainda não usei) que faz o chamado “City Loop”, um trajeto de mais ou menos 45 minutos passando por toda a região. Fora do centrão, existem os bairros mais residenciais, onde não se veem prédios altos. Pra evitar o trânsito, existem estradas (estilão freeway mesmo) conectando os bairros sem passar pelo CBD (conhecidas como “bypasses”). A maioria das linhas de metrô serve pra levar as pessoas desses bairros pro CBD e vice-versa. Existem infinitas estações (perto da minha casa, por exemplo, tem duas a menos de 10 minutos de caminhada) e o serviço é extremamente bem organizado - todos os trens tem horário marcado (e respeitado à risca) e dá pra planejar bem o horário de chegada em qualquer lugar da cidade olhando um dos “timetables” disponíveis gratuitamente. Existem passagens que valem duas horas, 1 dia, 1 semana, 1 mês e até 1 ano. A tarifação depende do trajeto que você percorre - se ficar só nos bairros por perto do CBD, tem uma tarifa; passando de um certo limite, a tarifa dobra (infelizmente eu estou morando 2 estações depois do limite, óbvio).
Enfim, depois de ver umas figuras engraçadíssimas no metrô cheguei até a Parliament Station e encontrei meu amigo. Fomos até a faculdade onde vamos estudar (que fica do lado dessa estação, ainda bem!) e depois perambulamos pelas ruas da região, sem nenhum objetivo em mente. Conversamos um pouco em um parque, depois achei uma lojinha que vendia adaptadores de tomada pro padrão australiano (salvou minha vida). Em seguida, andamos mais um pouco e fomos parar em um pub inglês bem legal chamado Elephant and Wheelbarrow, um lugar bem bonito e com preço equivalente aos pubs no Brasil. Tomamos uma cerveja com batata frita e combinamos de voltar lá pra assistir um jogo de rugby da Austrália na Copa do Mundo, que acontece no mês que vem se não me engano.
Em seguida, peguei o metrô de volta pra casa e cheguei aqui umas 9 da noite. Confesso que meu instinto paulistano me fez sentir um medo brutal no caminho da estação pra casa, completamente deserto e pouco iluminado. Mas conversei com o Mr. Green e ele me disse que é extremamente seguro apesar de um pouco “creepy” - ele não se lembra da última vez que rolou um roubo no bairro.
Chegando em casa, desfiz minha mala e tomei meu ultra-rápido banho. Vim pro quarto e conversei um pouco com a minha mãe e a minha irmã no Skype, o que foi bem gostoso. Logo comecei a ficar com sono e frio - muito frio. A temperatura, que durante o dia ficou entre os 18-19 graus, despencou pra 8 de noite. Fui tentar usar o aquecedor do quarto mas acabei piorando a situação, ativando o modo ar condicionado (LOL). De qualquer modo, as instalações da casa são boas e consegui dormir bem com os dois edredons disponíveis. Acordei durante a madrugada sem sono (efeito do fuso horário) mas me forcei a dormir de novo.
Às 7 da manhã, despertei de vez, num friozão de 5 graus (a tendência é que suba durante o dia - ufa!). E aí escrevi esse post quilométrico que eu duvido que alguém tenha lido até o fim.
Amanhã conto mais. Saudades de todos :)
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work by adam james turnbull
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“One of the many reasons for the bewildering and tragic character of human existence is the fact that social organization is at once necessary and fatal. Men are forever creating such organizations for their own convenience and forever finding themselves the victims of their home-made monsters.” - Aldous Huxley
(via theatlantic)
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Shot with @joe_gundersonphoto today! Follow him :) (Taken with instagram)
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This built in vanity with 3 mirrors is my favorite dance spot in the apartment. Girls you know what I mean. (Taken with instagram)
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just finished up shooting the super cute amanda darling and then found a box of presents for me from the people at crooks n castles. thanks...
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alysha nett / jon stars / wardrobe by melanie gershman
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